Diário || Éramos nós: Metades perfeitas


Leva-me de volta à felicidade. Quero encontrar-me novamente nos teus olhos, no teu sorriso, sobretudo no teu abraço. Fazer-te caricias, dizer que te amo. Rir de ti e contigo. Desejo eu no meu intimo. Infelizmente o tempo não volta atrás. Tenho saudades que corrijas o meu, muitas vezes, mau português e sobretudo a ignorância geral. Saudades das nossas poucas brigas, do meu ego e do teu orgulho. De te mimar, cuidar de ti, surpreender te com coisas simples, parvas, mas tudo com o maior carinho, porque amar é assim, e eu amei-te tanto, com todas as forças que tinha e ainda mais com as que não tinha. Faz-me falta o nosso desapego, era tão bom, tão seguro. A tua irritante impaciência que era inferior a minha, mas contigo eu tinha, quase, toda a paciência do mundo, nunca soube explicar porquê, sabemos bem que o amor não se explica. O teu ar envergonhado, quando dizia disparates e a tua cara de "choque" com as minhas conversas de duplo sentido. O facto de seres tímido e sentimental, atencioso e preocupado. E eu ser rude e fria, denominando-me muitas vezes por "homem da relação", para além de stressada. Tu fazias-me querer ser melhor, davas-me força e incentivavas, graças a ti, estou exactamente onde estou hoje. Sabemos muito bem o que isso nos custou. Adorava "dar-te na cabeça" sempre que tinha oportunidade, era incansável nessa função, até ao ponto de ficares exausto de me ouvir. Estavas lá para mim e quando digo que só tu me conheces verdadeiramente, não minto. Sempre a me "picar os miolos" porque querias fazer coisas novas, explorar a vida e eu acomodava-me, como uma senhora de meia idade, no sofá a ver novelas, tirava-te do sério, sei bem. Também me tirava do sério chegares sempre tarde e queres dar justificação mesmo sabendo que não valia de nada. Éramos metades perfeitas, diferentes em tudo, iguais nos princípios, o essencial. Completávamos-nos. O nosso relacionamento foi especial, aprendi a te amar, a aceitar os teus defeitos, moldei-me a ti, moldaste-te a mim. Hoje emociono-me por saber que não tenho mais nada disso, por saber que eras tudo, por saber que não o és mais.
-JR

Sem comentários:

Enviar um comentário