Diário || # A carta que nunca lerás.

Todo o dia a espera, que o telemóvel, toque, vibre ou dê sinal de vida. De x em x tempo olhando para o visor ou clicando nas teclas para ver se tocou e não me apercebi. Desde manhã até ao anoitecer e num momento inesperado, finalmente, toca e és tu. O mais esperado, mesmo sem saberes (a verdade é que se calhar até sabes, mas transmites não saber). Tantas foram as vezes que não esperava e mandava eu sms, logo que acordava, e tantas outras durante o dia, até pela noite dentro, mesmo sabendo que já estavas a dormir. Agora terminou isso. Acontece que, mesmo que a vontade seja enorme, deixei de o fazer. Talvez senti que estava a exagerar, apesar de isso ser um comportamento normal, também porque sei que não gostas de estar sempre ao telemóvel, em conversas intermináveis via sms, que isso para ti não faz sentido (para mim também não, todos precisamos de espaço e sempre fui a favor da teoria que diz que é preciso deixar sentir saudade, mas também não é necessário deixar morrer de saudade é?).
E é assim que estamos agora. Espero até que seja já hora de dormir se assim achar, fico a espera que a iniciativa venha de ti (eu preciso de Sentir que sentes a minha falta, que precisas de mim, que faço alguma, mesmo que pouca, diferença na tua vida, sim, Sentir, porque as vezes não sinto, e isso corrói, não sei explicar). Podes dizer/achar/pensar que é injusto, talvez é mesmo, o que se passa é que sinto imenso a tua falta e sinto-me uma completa idiota a te mandar sms durante todo o dia (sabendo que não vais responder, porque estás ocupado com esta ou aquela coisa, ou porque não te dá jeito, ou seja lá porque raio for). Podes agora pensar, 'e se eu sentir/fizer o mesmo? não falamos nunca então'. Também é verdade.
Sei lá, sinto um vazio, uma solidão. Mesmo quando falamos, aquele silêncio (que odeio!), quando deveríamos estar a falar, a rir ou a chorar (não importa), quando "termina" a conversa e a chamada desliga ou quando a sms diz "Já vou." Sinto uma revolta interior, é inexplicável, confesso que a minha vontade é atirar o telefone ao chão ou a parede, e chorar, mas (não ganho nada com isso, não é verdade?), respiro fundo e fico a pensar como tudo podia ser diferente. Lembro-me de momentos inesquecíveis, nos quais desejei que o tempo parasse, era tudo tão simples, tão perfeito (agora lágrimas rolam no meu rosto)...


-Jovita R.



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