Textos || Fragmentos

"Era uma vez uma menina que mordia a boca de um menino com uma veemência considerável. Essa menina também brincava com as orelhas do rapaz que fica encolerizado com as investidas constantes dos dedos femininos que o assolavam de certo modo que pareciam melgas nos mais quentes dias de Verão. Esse bicho considerado inútil, irritante e repelente é passível de levar uma chinelada, com uma força equivalente à da matança de um porco.
Mas, como estava a dizer, essa menina tem um feitio muito especial, digamos assim. É estúpida, burra, tonta e idiota ( visto que tem ideias boas ). Mas, apesar desta maneira de ser, consegue o improvável, ser ao mesmo tempo de isso tudo, uma menina tão linda. Mas não é linda só em termos estéticos, não senhor. É linda porque é ela, Ela própria.  
Esse menino que não tinha nada para fazer, decide escrever. Escrever porque gosta de o fazer e escrever porque está a caracterizar a rapariga que lhe preenche.
Se ela não me deixasse assim, exactamente deste modo, descrever-lhe-ia de maneira mais rápida e simples, mas seria demasiado fácil e injusto para alguém que é não descritível assim, de ânimo leve. É algo mais, algo que não se escreve assim apesar da sua inspiração constante, que me possibilita de escrever (…)"

-Marco Ramos





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